A minha história — e porque comecei a escrever

Chamo-me Karlene Mol. Nasci e cresci num pequeno município da Zelândia, nos Países Baixos. A minha infância foi marcada por dias longos ao ar livre, refeições caseiras e uma certa lentidão que, na altura, me parecia normal. Só muito mais tarde percebi que aquela forma de viver tinha um valor que a vida adulta moderna raramente preserva.

Durante a adolescência e os primeiros anos de universidade, afastei-me progressivamente desse ritmo. Mudei-me para uma cidade maior, comecei a estudar planeamento urbano e acabei por trabalhar em projetos que exigiam horários longos e decisões constantes sob pressão. Durante quase uma década vivi de acordo com listas, prazos e notificações. Comia o que dava jeito, dormia o que restava e movia-me apenas entre o escritório, o supermercado e o sofá.

Não houve um momento dramático de viragem. Houve, sim, um acumular de sinais pequenos: a sensação de que os dias passavam sem deixar memória, a dificuldade em concentrar-me em conversas longas, o facto de já não saber descrever o que tinha comido no almoço do dia anterior. Um dia, numa manhã de sábado especialmente vazia, decidi fazer uma coisa simples: sair de casa sem telemóvel e caminhar durante quarenta minutos sem destino. Foi apenas isso. Mas essa caminhada ficou comigo durante semanas.

O regresso aos gestos simples

Comecei a experimentar mudanças muito pequenas. Em vez de tentar “reformar a vida”, escolhi um único hábito de cada vez e observei o que acontecia. Primeiro foi a caminhada matinal de vinte minutos. Depois foi a decisão de preparar o pequeno-almoço na noite anterior. Depois foi deixar o telemóvel noutra divisão durante a primeira meia hora do dia. Nenhuma destas ações era original. O que mudou foi a forma como as abordava: sem julgamento, sem metas de desempenho, apenas com curiosidade.

Ao fim de alguns meses notei que os dias tinham mais “espaço”. Não porque tivesse menos tarefas, mas porque a forma como as atravessava era diferente. Comecei a escrever notas curtas sobre o que observava — não para publicar, apenas para mim. Essas notas cresceram. Um dia partilhei uma com uma amiga e ela perguntou se podia mostrar a outras pessoas. Foi assim que o Hitchel começou a tomar forma, primeiro como um caderno digital privado e depois como este espaço aberto.

O que este site não é

Não sou nutricionista, não sou treinadora, não sou terapeuta. Não ofereço planos, não vendo programas e não prometo resultados. O que faço é registar a minha experiência com hábitos quotidianos e partilhá-la de forma honesta. Alguns leitores encontram ecos das suas próprias rotinas. Outros discordam. Ambos os casos me interessam, porque o objetivo nunca foi criar discípulos, mas sim abrir conversas.

Os textos que encontrará aqui falam de comida, de movimento, de pausas e de rituais. Falam também de falhas, de dias em que nada correu como planeado e de como esses dias também fazem parte do processo. Escrevo em português porque quero que estas reflexões cheguem a leitores que, como eu, apreciam uma linguagem clara e sem excessos de jargão.

Onde vivo e como trabalho

Atualmente vivo em Goes, nos Países Baixos. O endereço que aparece no rodapé é o meu endereço real de correspondência. Trabalho a partir de casa a maior parte dos dias, o que me permite manter a rotina de caminhadas e de refeições preparadas com calma. O Hitchel não é a minha atividade principal — é o espaço onde registo o que aprendo enquanto vivo.

Se quiser contactar-me, pode fazê-lo através da página de contacto. Leio todas as mensagens, embora nem sempre consiga responder no mesmo dia. Agradeço a quem partilha as suas próprias observações: muitas vezes aprendem-se coisas novas através das experiências dos outros.

Obrigado por ter lido até aqui. Espero que algum dos textos deste site o acompanhe num momento de pausa ou de curiosidade. E se decidir experimentar um dos hábitos de que falo, faça-o sem pressão. A única regra que realmente importa é a de observar o que funciona para si.

— Karlene Mol
Goes, julho de 2026